23/11/2009

Destiny is calling me

É o destino. Parece que minha história com os rapazes do The Killers vai envolver sofrimento, situações adversas, aquela pontinha de arrependimento que dura até as luzes se apagarem e o show começar. Da primeira vez, o problema foi a longa espera pela turma de Las Vegas. Sábado passado, foi o céu se desfazendo em água.

Vamos pular a parte “Y a mucha honra, María la del Barrio soy” que contaria todo o perrengue que passamos antes do show, correndo pela Francisco Morato, levando pancada de chuva na cabeça, tentando achar um ponto de ônibus, uma marquise, qualquer coisa (todos os possíveis abrigos se esconderam de nós, certeza), ou quando já dentro da Chácara do Joquey, vimos nossos pés e canelas virarem lama.

Porque quando o show começa, dá até vontade de rir da irrelevância de todos estes pré-acontecimentos.

Até porque, devo dizer que sou grata a esta chuva torrencial que só parou de cair durante o bis : o show começou com pouquíssimo atraso, 15 minutinhos. Se o céu estivesse limpo e aberto, provavelmente esperaríamos bem mais, conforme a tradição das “desorganizações” de eventos brasileiros. Ficaram com pena da gente.

Centenas de corpos envolvidos em sacos plásticos pulavam e se sacodiam ao som de “Human”, que abriu o show, levantando água e lama pra todo lado. E daí? Are we human or are we dancer?

As músicas foram bem distribuídas entre os três principais CDs da banda (Hot Fuss, Sam’s Town e Day & Age), contando ainda com o famoso cover do Joy Division (“Shadowplay”) e com… Elvis! Isso mesmo, Brandon mandou um trecho de “Can’t Help Falling In Love” e ganhou todo o encharcado público mais um vez. Como se precisasse.

Brandon interagiu bem com a galera, ensaiou um português bonitinho (“Seu coração tá batendo?”, durante “For Reasons Unknown”) e nos agradeceu pela presença, acrescentando que éramos “muito corajosos”. Somos mesmo, tem mais é que agradecer!

O que era pra ser o meu segundo show do Killers, o primeiro em condições “decentes”, acabou sendo novamente um show de resistência. Um teste para fãs, para quem ama música, para quem sabe o que significa aquele clima de platéia pulando e cantando as músicas a plenos pulmões. Se é meu destino sofrer com eles antes de alcançar a recompensa, que assim seja. Pois eu sei que, quando ela chega, nunca decepciona.

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Set list – The Killers em SP, 21/11/2009.

"Human"
"This Is Your Life"
"Somebody Told Me"
"For Reasons Unknown"
"Bones"
"The World We Live In"
"Joy Ride"
"Human" (versão no piano)
"Bling (Confession of a King)"
"Shadowplay" (cover do Joy Division)
"Smile Like You Mean It"
"Spaceman"
"A Dustland Fairytale"
"Can't Help Falling in Love" (cover de Elvis Presley)
"Read My Mind"
"Mr. Brightside"
"All These Things That I've Done"
(bis)
"Jenny Was A Friend Of Mine"
"When You Were Young"

18/11/2009

Lembrete

Só pra lembrar que eu tenho um compromisso no sábado à noite.

15/11/2009

“Por favor, tirar el papel em el lixo. Obrigado.”*

Eu cursei o ensino técnico e era o terceiro ano. Naquele ano, passamos a dividir a escola com turmas do ensino médio regular, pois na época o governo determinou que o ensino médio e o técnico deveriam ser cursados separadamente – não como eu, em quatro anos, tudo junto em um único período, mas sim três anos de ensino regular e dois de técnico, podendo o aluno ir a um de manhã e ao outro à tarde.

Foi durante uma aula de… de… de que mesmo? Não lembro. Não devia ser uma aula muito interessante, porque nos chamou muito mais a atenção algumas frases em espanhol que vinham da sala ao lado. A professora falava e os alunos repetiam.

Olhamos uns para os outros com cara de espanto, “como assim, tem aula de espanhol agora? Além de inglês, espanhol?”

Além de espantada, me senti um pouco excluída. Por estar quase saindo da escola, à caminho da faculdade, eu perderia aquele trem. Se quisesse, aprenderia espanhol por minha conta.

A sensação de exclusão não parou naquele dia da aula ouvida por acaso. Não falar espanhol na América Latina (o continente físico) é como não pertencer a ela. Isso é muito perceptível nos canais a cabo. “Canal 123 Latinoamerica” é um canal que fala espanhol. Um CD lançado para vender na América Latina é em espanhol. E nós, somos de onde? Aconteceu algum movimento de placas tectônicas que causou rachaduras na terra e nos lançou para o meio do mar, de modo que o Brasil tornou-se uma ilha entre a dita América Latina e a África? E eu fico p… da vida em ver propagandas em espanhol passando aqui, sem legendas, como se fosse minha obrigação entender. Ou passa na minha língua ou incorpora um novo idioma no meu dia-a-dia, certo?

A entrada do espanhol na nossa rotina, da forma que deveria ser (pela educação formal, não pelas embalagens de pasta de dente) não deve acontecer tão cedo. O ensino obrigatório de espanhol ainda passa por dificuldades e, não sei por que, imagino que o mesmo ocorra nos países “latinos” (nós não somos, lembra?) que estão tentando introduzir o ensino de português nas escolas.

Claro, os idiomas são parecidos, a comunicação acontece na maior parte das vezes, o portunhol salva algumas situações e ainda causa boas risadas. Mas ainda não nos inclui na América, a “Latina”.

Por enquanto, o jeito é tomar umas aulinhas nos canais a cabo…

* O título é uma referência a uma frase lida num banheiro em Floripa. Portunhol em sua mais pura forma.

11/11/2009

There’s a light that never goes out.

Onde você estava no apagão de novembro de 2009?

Eu estava feliz e contente assistindo algo na TV, não me recordo o que era, mas devia ser a ESPN. Estava terminando um post para publicar no meu outro blog quando… PUF! Tudo ficou escuro (exceto meu notebook, com bateria), a internet caiu, a TV ficou ligando e desligando, o ventilador parou, as pessoas nas ruas deram gritinhos histéricos e tudo era escuridão.

Desliguei fios das tomadas e interruptores que estavam a meu alcance e fiquei procurando no escuro o controle da TV para que aquele liga-desliga parasse de vez. Sorte ela não ter queimado.

Em 30 segundos sem ventilador, ficou insuportavelmente quente. Fui à geladeira pegar uma garrafinha de água e, adivinhem, a luz da geladeira também piscava. Meus pais, que já estavam dormindo, levantaram-se curiosos para ver o que estava acontecendo. Além disso, dormir com aquele calor não seria nada fácil.

Salvei meu post para publicar outra hora e acessei a internet via celular, procurando notícias. Fiquei twittando bobagens para me distrair, me sentindo naqueles filmes de fim do mundo. Como disse o Rafinha Bastos, parecia o Will Smith no “Eu Sou A Lenda”.

Fiquei um bom tempo sentada, com os braços apoiados na janela do meu quarto e a cabeça apoiada nos meus braços, bebendo água a cada 2 minutos – antes que esquentasse. Toquei o solo de “Yesterday” no violão e arrisquei alguns acordes de “Paparazzi”. Senti um cheiro meio doce e enjoativo que concluí ser de velas aromáticas (vela é vela, para iluminar a escuridão, vale qualquer uma).

Depois de mais um tempo de violão, Twitter e UOL Celular, me convenci que o negócio era sério. Meus pais ouviam no rádio de pilha a dimensão da catástrofe. Comecei a me preparar para tentar dormir, ainda de janela aberta tentando capturar alguma brisa para o quarto. No meio do breu, algum vizinho canta “'Cause this is thriller, thriller night”. Só faltou a risada do final.

Deitei-me com bastante sono e até que dormi fácil, quando por volta de 3:30, 3:40 da manhã, o ventilador da sala começou a funcionar sozinho. Aos poucos, todos em casa fomos nos ajeitando para tentar dormir novamente, agora em um ambiente mais fresquinho. Pena que durou pouco, pois 6:25 levantei pra ir trabalhar.

FIM.

08/11/2009

Desvios musicais (28)

Uma das antigas, época de adolescente. E pra entender que ela falava “Saturday Night”? Tempos difíceis de inglês básico…

Tempos de 7 Melhores da Jovem Pan.

07/11/2009

Relaxa

Machismo me deixa p… da vida, transtornada, indignada, triste e desiludida. É um soco na boca do estômago. Quanto mais sutil e disfarçado, mais me atinge. Como eu não posso dar mais detalhes sobre a história que deixou assim por responsabilidade jurídica, eu vou fazer o de sempre : me confortar no humor.

cook

“O ‘Chef’ faz tudo, menos cozinhar – é pra isso que servem as esposas”. Coitado, se dependesse de mim…

03/11/2009

Beber sim, cair jamais

A melhor parte da ida ao Rio Grande do Sul, com certeza, foi a aprazível Bento Gonçalves. Acordamos bem cedo saindo de POA para pegar o ônibus para a cidade, mais ou menos 2 horas de viagem. Lá, tomamos café e encontramos nosso guia, um senhor muito simpático e atencioso, que nos levou de carro ao passeio chamado “Rota dos Espumantes”, que na verdade, é feito na cidade de Garibaldi, ali ao lado. À tarde, seria a vez do “Vale dos Vinhedos”.

Logo que chegamos havia uma feira livre em uma rua, em que os produtores rurais locais vendiam o resultado de sua colheita direto ao consumidor. Bem diferente da feirinha pasteurizada dos supermercados. Gente de “cidade grande” se impressiona com essas coisas ainda existirem.

Começamos pela Vinícola Garibaldi (cooperativa de produtores locais), depois passamos pela Peterlongo e em seguida, a Chandon. À tarde, seria a Casa Valduga, Vinícola Larentis, Miolo e Cave de Pedra. O roteiro das visitas é bem semelhante : os guias apresentam a empresa, conhecemos de perto a produção e armazenamento e ao final vamos à melhor parte, que é degustar os produtos! Logo em seguida, a segunda melhor parte, que é a lojinha. É quase impossível sair de mãos vazias. Só nos controlamos mais porque era uma viagem de ônibus, mas quem vai de carro, é pra voltar com uma adega no porta-malas, tanto pela qualidade como pelo preço, ambos compensam. Mesmo quem não é chegado a vinho, champagne (ou espumante, logo explico a diferença) e outros derivados da uva, vá e experimente. E mesmo que odeie bebida alcoólica, beba um delicioso suco de uva – foi o que o nosso guia fez, coitado… afinal, era o motorista da rodada. Pro pessoal mais hardcore, tem a grappa, a cachaça da uva (só para profissionais!).

O almoço foi no restaurante da Casa Valduga e após uma refeição maravilhosa, fomos convidadas a conhecer e bebericar dos vinhos da Larentis e da Miolo. A primeira é uma vinícola familiar, com uma produção menor, mas é de alta qualidade e, vejam só, aceitam encomendas! A Miolo é, bem, a Miolo, a única que cobrou pela degustação ( a Casa Valduga também cobra e nem fomos, já que no almoço já pudemos beber um vinho por conta). É bom você ir em vinícolas como a Larentis e a Garibaldi para comparar uma produção mais artesanal de outra mais “industrial”, como as famosinhas Chandon, Peterlongo e Miolo. Todas chegam a bons produtos, por caminhos diferentes.

Volto a falar dos champagnes/espumantes para explicar porque se usa um ou outro nome. Na verdade, os franceses, afrescalhados como são, exigiram que só seja chamado de “champagne” a bebida produzida na região de Champagne, França. Qualquer outra, mesmo com processo idêntico de produção, é “espumante”. A única que conseguiu manter o nome, e mesmo assim só no mercado nacional, foi a Peterlongo. Mas é a mesma bebida. No caso da Peterlongo, por exemplo, o método usado é o Champenoise (leia mais aqui). Sim, nos vimos as garrafinhas com bumbum pra cima, esperando alguém girá-las 1/4 de volta. Show.

De golinho em golinho, ao fim do dia você conclui que bebeu como gente grande. No fim da tarde, nosso querido guia nos deixou na rodoviária e voltamos para POA exaustas, com sono e, acima de tudo, muito felizes e satisfeitas. É isso que o vinho faz com as pessoas, certo? E sempre na medida certa.

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A medida certa, uma medida tão incerta…

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