19 outubro 2008

Copos

"Hummm que festão! Ai, pena que só vai tocar esse música eletrônica chata. Depois de 10 minutos ouvindo isso, dá um sono. As meninas que vieram comigo estão todas acompanhadas. Olha aqueles caras ali, marombadinhos, não devem saber desenhar um O com um copo. Copo! Grande ideia, vou encher o meu".
- Moço, oi... moço... mooooço. O que você tem aí?
- Para você, querida, sangria.
- Ai, sangria? Não tem bebida mesmo?
- Mas sangria é bebida. É com vinho e...
- Não, eu sei, quis dizer uma bebida pura.
- Você diz, uma dose?
- Isso!
- Bem... tem uísque.
- 12 anos?
- Peraí... tem sim.
- Manda ver.
- Mas moça, cuidado! Está dirigindo?
- Claro que não!
- Táxi?
- Nem... que táxi chega aqui? Estamos há uns 30 km da cidade. Sairia uma fortuna.
- Divide com uma amiga, ué!
- Elas vieram com os namorados...
- E eles não vieram de carro?
- Sim, mas não vou servir de vela. O esquema é o seguinte, amigo, eu tenho que beber bastante para ter coragem de chegar no cara mais bacana desta festa, aí ele me leva pra casa - dele, claro. Ou tenho que beber ainda mais para os meus amigos ficarem com pena e me levarem para casa - e assim eu estrago a noite de um casal amigo.
- Mas moça, não faça isso, a senhora parece uma menina de respeito!
- Você está me chamando de vagabunda?
- Ah, mas como é que você vai se atirar em qualquer um para ele te levar para a casa dele?
- Claro... é só pra me levar. Eu vou estar tão mal que vou chegar na cama dele e dormir até amanhã. E daí, se eu quisesse dar pra ele, seu machista!
- Não é isso... Olha, como você vai saber se o cara presta? Se ele é "bacana", como a moça diz?
- Sabendo, o coração sabe!
- Aff. Moça, acho que você já está bêbada. Toma esta sangria aqui, bem fraquinha, que já está ótimo.
- Não é justo. Esta festa está uma bosta, o garçom me chama de puta e eu não posso nem me embebedar. Não tenho ninguém pra me levar pra casa. E essa porcaria de putz-putz insuportável! Ah, vou dançar...
(Na pista...)
"Nossa... olha o vestido desta menina. Tá quase pelada! Por isso aquele monte de caras está babando nela. Aquele cara ali... eu conheço... ai, meu Deus... é o... caramba, aquele cara da natação... ou é tenista? Não... de vôlei? Gente, ele é atleta de quê? Estou tão zonza... Ai, que sapato ruim, não vale 145 reais nunca! Aquele outro ali... também é atleta! Ah, não, é o mesmo... Ué... ele está sem camisa? Não... estou louca. Estou bêbada com UMA sangria?"
- Oi!
- Oi... tudo bem! Que prazer conhecer você, sou sua fã!
- Obrigado, qual seu nome?
- Heeeeein, fala mais alto!
- Eu sou o Paulo e você?
- Ah, eu sei. Paulo Zebrywski, do... han... Mariana.
- Vamos ali para o bar?
- Me leva pra casa?
- Han... como?
- Me leva para casa, quero dormir, a festa está um saco e você é lindo, atlético e famoso. Quero saber se você também é gentil, educado e inteligente.
- Ehh... sim, sim...
- Uhu! Consegui!
(...)
"Hum, bem, vou abrir os olhos e ver onde estou. A cama é confortável, parece que estou em casa! Ahn... Estou em casa. Droga! Quem me deixou aqui? Como ele sabia meu endereço? Será que tem paparazzi lá fora? O que é este papel? Uma foto autografada. 'Para minha fã, um abraço, Paulo'. Credo, quanto Photoshop nessa foto!"
- Quanto Photoshop nessa foto, não?
- Oi, moço, você é o cara do bar! Como entrou? O que faz aqui?
- Você desmaiou e eu ajudei o pessoal a te trazer em casa.
- Que pessoal?
- Os casais amigos seus. Ficaram bem preocupados...
- Mas eu desmaiei com uma sangria?
- Você bebeu 6 doses de uísque, não lembra?
- Não! Nossa... que vergonha! Estraguei a festa de todo mundo.
- Que é isso, moça. São seus amigos. Isso faz parte, né? Não é só na hora boa. Bom, tenho que ir, cuidado com as sangrias por aí.
- Muito obrigada, moço...
- Paulo.
- Outro! Mas você é bacana, não é?
- Ouça o seu coração. Ele sabe...

Moral da história : Divirta-se bastante, não se preocupe com eventuais vexames, tudo dá certo. Se não der, pelo menos você se divertiu!

3 comentários:

Cristina disse...

Então é por isso que eu não me divirto: fico preocupada em como vou voltar pra casa. E não bebo rs.

Semiramis disse...

Quando éramos durangas esperávamos o busão pra voltar pra casa, agora vamos de táxi, mas deixar de beber, JAMAIS! \m/

C. disse...

Deixar de beber? Nunca, nunquinha!!!

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