20 setembro 2008

Homo ridiculus

Ainda na vibe ABBA, após ver o musical Mamma Mia, percebi que nunca havia prestado atenção na música "Take a Chance On Me". Sabia que existia, mas não a escutava tanto a ponto de saber do que se tratava.
Ela foi interpretada no filme-cantoria e me surpreendeu por ser mais um clássico dentre as "músicas que não batem com a letra". Sabe aquele música dos Bee Gees, "
Tragedy", que é toda animadona, dá vontade de sair dançando e o moço canta coisas como "É uma tragédia / quando a manhã chora"? É o que acontece com "Take a Chance...". Vejamos.
A música é bem alegrinha, tem até um toque de bom humor. No entanto, a primeira frase é "Se você mudar de idéia, eu sou a primeira da fila". Dentre outras pérolas como "Meu amor é forte bastante para agüentar quando as coisas estiverem ruins" ou "Você não quer me ferir, querido, não se preocupe, eu não te deixarei". Basicamente transformaram o fato de uma pessoa se humilhar pelo amor de outro, que não está nem aí, numa piadinha divertida.
Ok, talvez meu lado romântico esteja desativado, mas alguém aí se lembra da última vez em que começou a gostar de alguém e não era correspondido? E as frases de consolo? E as promessas de "amizade eterna sim, romance não"? O quanto você RIA nesta época? Teve dores abdominais depois das crises de riso? Saía cantarolando e saltitando, pedindo "por favor, goste de mim só um pouquinho, mas se não quiser agora, eu espero, la la la la la"? Posso perguntar infinitamente, mas vou me controlar.
Pedir por amor é uma situação muito triste. Ridícula e embaraçosa, para ambos. Pois, se a tal pessoa não te ama, não quer dizer que te odeie, apenas você não cabe na idealização amorosa dela, nem a base de Serenata de Amor. Pior do que a humilhação, é a vergonha que se sente depois de ter feito mil idiotices e falado coisas melosas e apaixonadas. De ter pensado em um possível futuro de
um possível relacionamento com o suposto amor da sua vida.
Em geral, temos duas situações : aquela em que você sabe que está fazendo besteira, mas se sente na obrigação de fazer, só para saber como é, pagar pra ver. Ou pior, aquela em que você acredita até o fim que está certo e depois cai da nuvem direto no asfalto duro. Ao final, sobram as orelhas de burro, a dor de cabeça e o famoso "por que fiz isso?".
Sim, eu sei (perceba que eu leio a mente de quem está lendo o blog), falar em arrependimento é complicado, afinal, quando há sentimento envolvido, a gente quer e torce para dar certo, tenta se esforçar para isso. Ninguém tem como saber se vai vingar antes de tentar e, eventualmente, se ferrar. Eu não estou dizendo que não devemos passar por isso, que devemos nos isolar e viver a uma distância segura dos "escolhidos que não nos escolheram". Só estou afirmando que é ridículo. O durante e o depois. Ponto. E o pior é que, se der certo e vocês ficarem juntos, por muito tempo você vai ouvir coisas do tipo "lembra como você corria atrás de mim?". Ah, a vaidade...
Não vejo muito jeito de escapar... O máximo que podemos fazer é pedir às forças amorosas do Universo para que não sejam tantas vezes, nem tão vergonhosas. Por via das dúvidas, pense um pouco antes de pôr aquele vídeo seu no You Tube cantando "Take A Chance On Me", com a foto da pessoa, corações ao fundo e efeitos cor-de-rosa do Movie Maker.
Pois, não sei o seu "amado", mas eu vou te zoar até.

5 comentários:

Semiramis disse...

Eu tenho medo q um dia uma coisa dessas aconteça comigo...

Ånderson disse...

isso tudo sem contar o Abba-esque do Erasure...

AlineNC disse...

Juro que procurei esse ABBA-esque mas não achei em lugar nenhum!

Alexandre disse...

Acho que poderíamos dizer que já passei por esse "ridículo", e como não poderia deixar de ser, naquela primeira grande paixão da vida adulta. Mas sei lá, no "calor do momento" e da inexperiência, você não reflete muito sobre o que a "platéia" vai pensar. E no meu caso em particular, existia o elemento ego, que faz com que você fique cego a qualquer tentativa de superar o seu orgulho e admitir que o amor muitas vezes não é uma via de duas mãos. Muito pelo contrário.

Cristina disse...

Mas se o amor não tivesse o elemento de ridículo, nem existiriam comédias românticas :p

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