“Alguém conta pra eles que ele era só o baterista?”
Sim, diante da fila imensa que pegamos na entrada do Credicard Hall, para ver “só” o baterista Ringo Starr, daquela banda que todo mundo conhece – não importando se gosta – esta foi uma reação prevista. Mas quem gosta da tal banda sabia do significado de ver um ex-membro, um dos dois ainda vivos e já nos 70.
Ringo, o quarto beatle, para alguns “o menor”, poderia ter aproveitado a sua carreira solo e feito um show de egocentrismo e auto-suficiência, pegando carona no sucesso do quarteto de Liverpool, para vingar todos os anos de, digamos, relativo anonimato – se pensarmos na comoção que John, Paul e George costumavam (e costumam!) causar.
Mas não. Ele sabe que é excelente no papel que sempre teve nos Beatles. Um ponto de equilíbrio no meio de eventuais egos assoberbados pela fama e, acima de tudo, o representante da felicidade, o cara gente boa, o figura.
Não há mau-humor que resista ao show de Ringo e sua All-Starr Band. Só de olhar pro cara você já abre um sorriso e seus companheiros de banda, nossa, só fera (veja mais aqui). Um bando de velhos amigos que toca por aí e mostra que ainda sabe fazer rock ‘n’ roll, como poucos. Nada a ver com tanto lixo que se consome e se produz hoje em dia.
Aliás, um belo teste foi o show de ontem para aqueles que ainda têm dúvida se gostam de um bom rock. Quem saiu absolutamente satisfeito, passou no teste. Quem torceu o nariz, deveria tentar outra coisa na vida. Sugestão do próprio Ringo: antes de cantar Yellow Submarine, ele lança esta:
“Eu não vou dizer o nome da próxima música que vamos tocar, porque se vocês não reconhecerem, provavelmente estão no evento errado. Provavelmente estão esperando por Lenny Kravitz…”
Como não amar?
Peace and love.
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