08 agosto 2010

Cuidado com o que deseja

Lembro-me de que, quando criança, sempre que brincava de ser um super-herói com algum poder especial, escolhia ser invisível. Isso refletia simplesmente a vontade de ver tudo o que acontece e poder prestar atenção aos detalhes sem ser notada ou repelida. A ausência total de segredos, o que mais poderia querer uma curiosa? Até porque, não sou boa em entender nas entrelinhas ou deduzir pensamentos.

Se o gênio aparecesse de dentro da lâmpada esfregada e você pedisse a ele a invisibilidade, seriam duas as soluções possíveis: você adquirir uma forma que não pudesse mais ser enxergada ou, apesar de continuar existindo de forma perfeitamente visível, as pessoas não te enxergassem mais.

Descobrir se você ficou invisível com a primeira possibilidade é moleza: se ninguém fala mais com você na rua, em casa, no trabalho, se algumas pessoas se assustam quando você está por perto e levanta algum objeto (pois para elas, parece que o objeto flutua no ar), parabéns: você virou o avião da Mulher Maravilha.

A segunda forma é mais discreta e, portanto, mais difícil de ser comprovada. Pois pode não ser uma condição absoluta. Como depende de quem te vê, às vezes a pessoa pode te enxergar, às vezes não. O poder não está na sua mão, não depende da sua vontade.

Se algumas das situações abaixo acontecem muito com você, fique esperto:

- Sua opinião é pouquíssimo requisitada, exceto para assuntos em que você é uma das poucas especialistas ou tem experiência. Pior, nem quando é assim te perguntam coisa alguma.

- Sua ausência não é notada ou é considerada um fato corriqueiro.

- Sua figura nunca está presente em nenhuma das histórias criadas pelas pessoas, sobre as possibilidades da vida delas e de outros. Você é um ator na “geladeira”.

- Você é a última pessoa a saber de muitas coisas, praticando bastante a cara de espanto retardado (“Ohhh, é mesmo? Tá brincando? Jura? Tô chocada!”).

Nos últimos meses, então, migrei de pessoa discreta e “na minha” para a condição invisível, visto que as coisas que mencionei acima fora a tônica do ano até aqui. Como eu disse, é algo que não ocorre de forma contínua, porém, cada vez acontece mais.

E me vejo agora em um dilema, com um sonho de infância realizado, no entanto, mal e porcamente. Uma pequena falha de interpretação do gênio, talvez uma lâmpada vagabunda ou a falta de um contrato explicando melhor qual o objetivo desejado.

Ou, talvez, pensando de uma forma positiva, o mundo resolveu ser generoso comigo e apenas passou a me poupar de coisas que, supostamente,  só me incomodariam, me fariam perder tempo ou trariam sofrimento. Quem sabe?

“A gente queria te dizer, mas você não iria querer saber mesmo…”

Um comentário:

Célia Alves disse...

Hhhhmm, a Mulher Maravilha alem de invisivel, tem a sabedoria de Atena (assim o diz a Wikipedia)!!!! E um pacote completo de habilidades, hohoho.

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