11 outubro 2008

Tenho mais o que fazer

Finalmente alguém resolveu fazer isto. Depois dos milhões de livros indicando as "n coisas para fazer antes de morrer", perceberam que algumas destas coisas é melhor não fazer. Ou só fazer se quiser, não porque escreveram em um livro.
Eu aprecio listas e possuo o "1001 discos para ouvir antes de morrer", muito mais por interesse musical que por vontade de ouvir 1001 álbums. Até porque há nele estilos que não me agradam e, claro, a publicação é totalmente voltada ao G7, esquecendo que existe produção musical de qualidade em qualquer parte do globo. Nem vou entrar na discussão do que é "qualidade", senão o Blogger me expulsa por "conteúdo muito longo e chato".
Estas listas tentam resumir quais as tarefas, viagens ou aventuras que tornariam sua vida mais excitante, portanto, mais feliz - na opinião deles, estes dois termos estão conectados. As relações tentam ser genéricas ao máximo para que as vendas sejam boas. Por isso, é complicado levá-las à sério.
Geralmente, o que estes livros indicam é que a vida plena está longe de você. Não tem nada bacana para fazer há 2 quadras da sua casa, tire o pó do passaporte e ponha a mochila nas costas. Ah, e tem que ser radical. Se for perigoso, melhor ainda. Poderiam mudar o título para "n coisas para fazer e apressar a sua morte".
É uma boa forma de se aproveitar do senso comum de que a felicidade está longe e devemos correr riscos para alcançá-la. Afinal, é assim que daremos valor a ela ao final de tudo. Além disso, ficar em situação de perigo é um jeito de se sentir vivo, não?
Claro que não!!! 
Por favor, se é pra fazer algo legal, que vá me deixar feliz, contente e saltitante antes de partir desta para uma melhor, eu lá vou escolher algo que me arrisque a vida? Ou uma viagem para um local com o qual não me identifico só porque é badalado? Pode acontecer sim, acredite. Este é o real perigo destas listinhas bobas. Deve ter gente por aí doido para provar que é mais feliz que você porque pulou de paraquedas, escalou o Everest ou transou no avião. Yeah, right.
Eu sou bem besta mesmo, fico feliz só em ter uma noite bem dormida... Nem vou entrar na discussão do que é "felicidade", senão o Blogger me expulsa por "conteúdo que não levará a lugar algum".

3 comentários:

Alexandre disse...

Eu li uma resenha que dizia que essa crise americana é um reflexo direto da "cegueira" que as pessoas tem por esses livros de dita auto-ajuda:

"Confie em você e tudo dará certo"; "O universo sempre conspira a seu favor, coloque isso na sua cabeça".

São "sermões" que tem seu fundo de verdade, mas que não pode ser levado às últimas conseqüencias.

Taí o resultado, deu no que deu: "Eu confio em mim, eu vou bancar a minha casa, vou mandar ver e hipotecar.." frase de algum Joe, perdido no meio-oeste americano.

Cristina disse...

As pessoas tomam esses livros por manuais de instruções para a vida. Eu até acho que uma ou outra coisa de auto-ajuda pode ajudar de vez em quando, mas que tem coisas muito absurdas, isso tem mesmo.
E eu tenho o "1001 livros pra ler antes de morrer" :p

Semiramis disse...

Eu também me satisfaço com pouco. Estar em paz comigo mesma já me basta, e até isso é difícil...

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