29 março 2008

No dentista

- Oi! Posso me sentar aqui?
"Claro!", pensei. Meu dente doía muito, parecia que havia uma lança enfiada na minha gengiva. Eu não ia poder conversar muito. Pena, até que o rapaz me parecia interessante... Ué, mas como eu já posso saber? Julgando as pessoas pela aparência, que feio! Só por que ele é bonitinho? Bonitão. Na minha opinião, para o meu gosto, nota 10. Será que ele tem cárie? Tártaro? Dentadura? Já pensou, é daqueles que deixa os dentes de mentira dentro do copo d'água, quando vai dormir...
- Er... desculpa, posso te perguntar uma coisa?
Óia, ele quer me perguntar uma coisa! "Quer casar comigo?"
- Pode sim.
- A doutora costuma demorar muito?
- Depende, o que você vai fazer?
- Limpeza, ela vai dar uma geral... e você?
- Vou extrair.
- Siso?
- Não, é um dente extra. Eu tenho 33.
- Ah, legal.
"Ah, legal, esta menina é um ET com 33 dentes". Poxa, eu poderia ter falado que só ia fazer uma limpezinha também! Imagina, já ia começar um relacionamento com mentiras. Que relacionamento, cara-pálida? Tá louca? Não existe nada! Muito menos agora, que ele sabe de que planeta eu vim. O planeta 33. Te falei que minha pele real é verde e que escondo as antenas por baixo do cabelo?
- Você é cliente dela há muito tempo?
- Desde criança. Quer dizer, comecei vindo no pai dela, ela tinha acabado de se formar. Está nas primeiras consultas?
- É, mudei de cidade e estou me adaptando... achando médico, supermercado, diversão, amigos.
- Refazendo a vida...
- Isso mesmo. É uma boa definição.
Ponto!!
- O que tem de legal para fazer por aqui?
- Ah, várias coisas, do que você gosta?
- De sair à noite, baladinha, normal.
- Pegar a mulherada...
Oi? Eu disse isso?
- Hahahaha!! Que é isso, também não é assim.
- Deve ser assim, ué, vocês vai na balada para quê? Dançar? Hehehe
- Tá certo...
Resposta evasiva. Sei. Deixou corações partidos na terra natal, não?
- De que tipo de música você gosta... qual seu nome?
- Luciane.
E o seu?
- Tiago.
- Gosto de um monte de coisas.
- Eclética?
- Pode ser. Ouço muito MPB, pop-rock. De tudo.
- E gospel?
- Como?
- Gospel.
- Ah, música da igreja.
- Sim, mas não as tradicionais. Quer dizer, também tem as antigas, mas a gente faz um pop religioso.
"A gente quem? Não tinha se mudado agora para cá?"
- Eu toco teclado lá na igreja, como eu fazia na outra cidade. Aliás, você já agradeceu ao Senhor hoje, por sua vida? Pensou que ele morreu na cruz para nos salvar? Se a sua vida parece perdida, sem sentido, eu estou te convidando, em nome do Senhor Jesus, para visitar a igreja que freqüento, todas as quintas e domingos. Ele vai mudar a sua vida e...
- Próximo! É você, Luciane.
Tchau, menino-bonito-profeta. Deus te abençoe. Jesus não morreu pelos ETs, lá é outra jurisdição.




Sacou, Tiago?
Veja mais em : www.malvados.com.br

2 comentários:

Cristina disse...

Esse diálogo parece Veríssimo rs.
E me lembrei de uns mórmons que vieram me trazer "a palavra" ontem no ponto de ônibus... ¬¬

Semíramis disse...

ai, meus dentes...

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