27 outubro 2009

Impressões primeiras

Este deveria ser o último post sobre a viagem, já que se trata de uma opinião sobre a região Sul do país de uma forma geral – com base no que foi visto nas três capitais. Mas aos poucos eu vou colocando tudo aqui, talvez dividindo em historinhas. Anotei o mais interessante pra não esquecer.

Uma visão de turista, de paulista, do que vocês quiserem chamar. Aliás, eu nem tenho sentimento algum bairrista pra ter orgulho de ter nascido em SP. Eu sou no máximo brasileira, quando acordo bem-humorada.

Houve um tempo em que os estados sulinos desejaram ser independentes do restante do Brasil, por se consideraram mais evoluídos, limpos, louros, educados e europeus que os demais habitantes do país. Eu nunca mais ouvi falar desse movimento, mas minha curta visita à região me convenceu de que a separação seria um grande equívoco.

Embalado por essa “fama” de mundo mais civilizado, as expectativas formadas pelo visitante são bem altas. Já no avião, um moço gaúcho me lança a frase “não existe gente feia em Porto Alegre, tu anda na rua e não tem ninguém feio”. Até aí, eu notei que ele estava passando um chaveco furado na passageira a seu lado, mas será que havia alguma verdade naquilo? Seria o Sul do país um mundo paralelo, em que as pessoas eram realmente mais evoluídas, limpas, louras, educadas e européias? Seria uma proliferação de Rodrigos Hilberts e Fernandas Limas?

Ahn…

Pra começar, Porto Alegre, ou como chamam os locais, POA. A parte da cidade perto do porto parece Santos ou Recife, ou seja, é igual a qualquer centro de cidade portuária brasileira. Tem o mercado municipal, a arquitetura antiga, o comércio agitado… A parte “metropolitana” parece São Paulo : ruas largas, asfalto a perder de vista e, para meu espanto, gente pobre, gente rica, gente bonita, gente feia, todas as gentes possíveis. Ou seja, igual a qualquer cidade grande brasileira. POA poderia ser um símbolo do que é o resto do país, um “mini-Brasil”. Portanto, esse papo de independência, que sempre foi mais forte em terras gaúchas, só pode ser resultado de muito chimarrão nas ideias. Chimarrão com ácido, talvez.

Vale destacar toda a “civilidade” do trânsito gaúcho, em que luz de seta é um mero adorno nos carros. Todo mundo muda de faixa, vira e nada de sinalizar. Ainda inventaram uma campanha para os pedestres estenderem a mão ao atravessarem a rua na faixa, caso o sinal esteja aberto, fazendo com que os carros “educadamente” parem e dêem passagem. Claro que, como resultado, tem um bando de doido que atravessa fora da faixa e com o carro vindo a meio metro de distância, mas estende a mãozona todo cheio da razão. Não consigo pensar em algo mais brasileiro que isso.

Um fato muito interessante é a força da rivalidade Grêmio x Inter. O barato é louco. Tudo se divide na cidade. Copo do Grêmio, copo do Inter. Violão do Grêmio, violão do Inter. Cuia do Grêmio, cuia do Inter. Deve ter até papel higiênico, ferro de passar, cueca, cerveja, carro, gravata... Qualquer rivalidade futebolística aqui de SP parece uma piada perto deles. BIZARRO.

Portanto, concluo que os gaúchos podem até ser mais evoluídos, limpos, louros, educados e europeus, mas acima de tudo, são bem brasileiros. E alguns são até mentirosos. Porque tem tanta gente feia lá como em qualquer lugar em que eu já estive. Vai ver era só uma cantada do cara do avião, afinal. Boba fui eu que acreditei.

Pontos turísticos? Bem, houve um problema técnico. No dia reservado ao passeio (domingo) choveu muito, só sobrou a segunda-feira, e neste dia nada abriu, mesmo sendo feriado (12/10). Boa parte ficou de fora, fica pra próxima.

E pra não perder a piada, não vi nenhum homossexual masculino dando pinta pela cidade. Pura implicância.

*

Já em Floripa, sou suspeita pra falar. A ilha é uma lindeza só e a região da Lagoa da Conceição é uma das melhores pra ficar, talvez no mundo. Dá pra fazer tudo andando e é perfeitamente possível andar de ônibus. Achei legal o fato de o transporte ser mais barato para quem tem o cartão, pois geralmente quem paga em dinheiro é quem anda pouco ou é turista, e em turista tem mais é que enfiar a faca mesmo (no sentido figurado, por favor!).

Mas o que gastei por lá foi sola de tênis, de sandália e do pé. A maioria da ida às praias era a pé e a volta de ônibus. À noite, era só escolher um dos barzinhos da região para comer, beber e ser feliz. Pode parecer bobo, mas voltar pra casa à noite, tarde, escuro, sem ter que se preocupar com violência parece até um sonho pra um brasileiro médio. Nesse aspecto, era como um mundo paralelo.

Alerto para uma questão de segurança nacional : a cidade está sendo dominada por estrangeiros. De tudo quanto é lugar, não é só América do Sul – alías, sotaque espanhol foi o que eu menos escutei. Não é à toa que já tem até um bairro com a alcunha de “Internacional”.

Mesmo com sol apenas no primeiro e no último dia de estadia, não tem como você dizer que foi pra lá e não aproveitou. Só de estar lá, você já está aproveitando, acredite.

Ah, em Floripa, pelo menos na região da Lagoa, como não há semáforo, TODOS os motoristas param pra você atravessar. Isso sim é fino.

*

Curitiba é um cuti-cuti de cidade, bonitinha, arrumada, organizada. Um trânsito inacreditavelmente tranquilo pro tamanho da cidade (1 milhão de habitantes aprox.). E ainda cheguei a ver em um canal local as pessoas reclamando do trânsito. Quando é que em uma cidade grande, você consegue atravessar a rua com o sinal dos carros aberto, porque não tem carro nenhum vindo? Nem em Santos dá pra fazer isso mais.

O transporte público provavelmente é um dos responsáveis por essa maior fluência. Nos famosos ônibus articulados, cabem 250 passageiros. O bilhete custa 2,20 de segunda a sábado e 1,00 aos domingos (VIU PREFEITURA DE SANTOS???).

Lá o roteiro foi totalmente turista e para este fim, o ônibus municipal que faz o caminho pelas principais atrações turísticas da cidade é simplesmente perfeito. Por 20,00 você pode subir 5 vezes no ônibus, em qualquer um dos pontos pré-determinados, o que te permite montar uma sequencia dos passeios. Recomendo 100%.

Realizei meu sonho de subir em um palco, foi na Pedreira Paulo Leminski. Só com a Lady lá eu já estava com vergonha, imagina se fosse um show de qualquer coisa. Mas a acústica é ótima. Foi como uma ida à Meca.

Estava na cidade quando ocorreu o Atletiba (clássico dos times locais) e soube depois que houve tumulto e quebra-quebra de ônibus. Da janela do hotel, dava pra ver a torcida do Atlético saindo do estádio, em fila, com as motos da polícia escoltando. Ou seja, nem a mais evoluída das cidades escapa desses vândalos disfarçados de torcedores. Não tem jeito, gente idiota tem em todo lugar e não há predador natural pra acabar com essa raça.

Ah… os bonitos da região migraram para o Paraná, fica a dica.

*

Ainda falta falar de Bento Gonçalves (RS), Morretes (PR)… Calma que vem tudo. Não vou poder reclamar de falta de assunto por um bom tempo.

Quem quiser ver as fotos :

Férias Sul 2009

Lembrando que as dicas de bares e restaurantes frequentados estará aos poucos aparecendo no TesteBar, não deixe de conferir!

Por enquanto é só. Como post de retorno, está de bom tamanho.

6 comentários:

C. disse...

Ah, já fui tão feliz em Curitiba, hihihihi.

Anderson disse...

fiquei ainda mais curioso para conhecer Curitiba. achei que tudo o que falavam era lenda, mas vc confirmou! legal.

Semiramis Moreira disse...

Descobri que não é só em POA e Curitiba que pontos turísticos fecham na segunda... o Museu do Mar em Santos abre de QUARTA-FEIRA a domingo...

Milton X disse...

Eita Sul-maravilha... rs
Adorei Curitiba. Floripa já fui 3 vezes... Falta só POA... Já conheço a "língua-local", mas a cidade ainda não... rs
Tava com saudades dos posts!
By the way, fascinante o post de retorno e olha que a expectativa tava imensa!
Bju.

Alexandre disse...

Eu preciso conhecer esse trânsito de Curitiba. É bem provável que eu tenha uma paixonite por essa civilidade e não queira voltar. rs

Cristina disse...

Gostei das dicas! Eu só conheci POA, e nem deu pra aproveitar direito. Nem na tal Usina do Gasômetro eu fui... Ah, dei uma passeadinha básica por Gramado e Canela tbém

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